Você não tem itens no seu carrinho de compras.
Dr. RICARDO VERONESI

| Por Roberto Focaccia (*) O mestre exerceu a função de propor grandes teses, de trazer à crítica os grandes problemas médico-sociais. Escolheu caminhos universitários e políticos (aliás, um mau político) que estavam em frontal oposição às minhas convicções, mas sua sinceridade e o ímpeto com que os defendia merecia sempre minha profunda admiração. Defendia idéias avançadas para sua época: queria o controle da natalidade. Defendia o fim da ditadura acadêmica em sua Universidade, e acabou tendo o desprezo dos beneficiários. Queria a indústria farmacêutica internacional integrada ao pesquisador nacional. Queria a legalização do aborto e teve violenta reação clerical. Defendia a vacinação básica compulsória porque não podia compreender a cegueira dos gestores da saúde, o que lhe valeu a inimizade de tantos cientistas menores cronificados nas esferas do poder público. Tendo iniciado sua carreira médica especializando-se em Virologia, nos Estados Unidos, de volta ao Brasil elegeu as vacinas antivirais como sua linha de pesquisa, e posteriormente o tétano, onde deu enorme contribuição ao estudo dessa patologia. Fundou a Sociedade Internacional de Tétano, com sede em Lyon, na França, e alcançou o respeito da Organização Mundial da Saúde e da sociedade científica mundial. Em 1980, comandou a fundação da Sociedade Brasileira de Infectologia. Por suas mãos e liderança, buscou uma alternativa associativa à Medicina Tropical e que, por abraçar essencialmente apenas as grandes endemias nacionais, teimosamente não abria espaço à desamparada infectologia clínica. Foi seu primeiro Presidente, conseguindo às duras penas superar descréditos e preconceitos, implantando a hoje forte e reconhecida SBI. Consultor da Academia de Ciências dos Estados Unidos, membro do conselho editorial de inúmeras publicações indexadas, traçou horizontes para tantos discípulos, deixou uma escola, escreveu livros aqui e lá fora, elaborou um dos mais extensos currículos da universidade brasileira. Entretanto, e curiosamente, guardava o segredo de que seu maior feito em vida havia sido a paternidade de uma lei que conseguiu fazer aprovar tornando obrigatória a vacinação antitetânica em pré-escolares. Ostentava a soberba dos vencedores, mas como todo ser humano se gratificava mesmo pelos pequenos atos de grandeza que pode oferecer à sociedade. Era o que mais admirava no meu mestre. Ensinou-me os caminhos da ciência e me contemplou com o convívio de sua inteligência, sua personalidade marcante, impulsiva, humana. Ninguém foi indiferente ao mestre: endeusado por muitos, odiado por outros. Veronesi foi polêmico como desejava. Foi extremamente discriminado por suas posições políticas mais "à direita". Muitos se afastaram pelo rótulo injusto que recebeu de "agente da direita". Conseguiu, em seu tempo, a contradição de pregar à direita e lutar pelas injustiças e desigualdades sociais. Mas isso o magoava muito, e talvez tenha sido a força motriz de viver a ciência em esferas científicas mais altas no exterior onde tinha seus méritos reconhecidos. Professor Emérito da Universidade de São Paulo recebeu título de Professor Honóris Causa de grandes universidades do exterior, foi contemplado e festejado nos grandes centros científicos do mundo, recebendo as mais altas e merecidas comendas. Em nossas andanças pelos grandes centros de pesquisa do mundo pude testemunhar o quanto era reconhecido e respeitado. Assisti a discussões científicas entre o mestre e os grandes nomes da ciência mundial. Veronesi fazia proposições que freqüentemente deixavam seus interlocutores entusiasmados. Compartilhamos tantas e tantas pesquisas com grandes nomes da ciência mundial, em uma época que a pesquisa não estava atrelada e encomendada pelo marketing das grandes corporações da indústria farmacêutica. Tive o orgulho de conviver em nossas andanças pelo mundo com figuras notáveis como Sabin, Salk, Frenkel, Krugman, Gadusek, Trepo, Cvetanovic, Masur, Gallo, Montagnier, Fauci, Rizzetto, Blumberg, Bizzini, Kryzanovski, Yamaguchi, e tantos expoentes mais da infectologia. E assim era meu mestre. Assim são os gênios. Professor Veronesi foi um Homem extraordinário, que honrou nossa ciência e deixa uma lacuna que jamais será preenchida. Um cidadão da Humanidade. (*) Roberto Focaccia é Infectologista e Professor Livre-docente pela FMUSP. Coordenador do Grupo de Hepatites do Hospital Emílio Ribas. Foi fundador e vice-presidente da SBI. Co-autor de inúmeros artigos e livros com Ricardo Veronesi, entre eles o Tratado de Infectologia, ganhador do Prêmio Jabuti em 1997. | |
Imunoterapia: O impacto médico do século
Ricardo Veronesi
MEDICINA DE HOJE – MARÇO DE 1976 ARTIGO COMPLETO EM PDF
Introdução:
Os modernos conceitos imunológicos e suas implicações na patologia humana irãoacarretar, seguramente, um impacto maior que o causado com o surgimento dos antibióticos nas décadas de 40 e 50. Em verdade, os antibióticos têm seu campo de ação quase que limitado às doenças infecciosas, principalmente as bacterianas, enquanto a imunoterapia específica e inespecífica abrange horizontes bem mais amplos, quase não restando nenhum campo da patologia humana em que a imunologia não tenha maior ou menor participação em seus mecanismos patogênicos.
Doenças infecciosas e parasitárias, neplásicas, degenerativas e doenças auto-imunes
têm, todas, uma participação decisiva do sistema imunitário em sua iniciação, evolução, controlee cura ou morte. Quase não encontramos especialidade médica que possa, hoje, dispensar os conhecimentos da moderna imunologia para melhor atender os mecanismos íntimos, fundamentais, das doenças. Infectologia, Cardiologia, Nefrologia, Hepatologia, Gastrenterologia, Cirurgia, Oncologia, Dermatologia, Oftalmologia, Hematologia, Fisiologia, Hansenologia, Nutrição e Geriatria são, entre outras, as especialidades intimamente envolvidas nesses modernos conceitos imunológicos. Os conhecimentos que rapidamente se acumulam nesse setor terão papel importantíssimo na prevenção, correção, limitação, controle ou cura de inúmeras doenças catalogadas nas especialidades mencionadas sarampo, rubéola, herpes simples e zoster, hepatite por vírus, tuberculose, lepra, brucelose, mononucleose, verrugas, toxoplasmose, leishmanioses, blastomicoses, doença de Chagas, malária, doença de Crohn, linfomas, carcinomas, leucemias, aterosclerose, artrite reumatológica, lúpus eritematoso, doenças autoimunes (várias), candidíase generalizada são, entre outras, as doenças em que se tem demonstrado a possibilidade de intervindo no setor imunitário, curar ou impedir a sua progressão.
Ricardo Veronesi
Livre-Docente, Professor Titular de Doenças Infecciosas e Parasitárias e Professor Emérito da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Professor Emérito das Faculdades de Medicina de Jundiaí e de Santos. Professor Honorário das Universidades de Coimbra, do Noroeste Argentino, Guayaquil (Equador) e da Colômbia. Consultor da Organização Mundial da Saúde e da Academia de Ciências dos EUA. Ex-Fellow da Rockefeller Foundation (Virology). Ex-Secretário de Saúde do Município de São Paulo. Ex- Chefe do Centro de Investigações Médicas da Universidade de Mogi das Cruzes. Doutor em Humanidades pela Pan-American Medical Association (EUA). Oficial da Ordem do Mérito Médico do Brasil. Fundador e Primeiro Presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia. Fundador e Primeiro Presidente da International Society for Erradication of Tetanus. Ex-Vice-Presidente da International Federation for Infectious and Parasitic Diseases. Membro do Conselho Consultivo da Associação da Criança Defeituosa. Membro do Comitê Editorial Internacional do “Journal of Infectious Diseases” (EUA) e de Várias Revistas Nacionais.
Veja outros títulos de Ricardo Veronesi
Roberto Focaccia
Médico Infectologista. Mestre, Doutor e Livre-Docente em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, FMUSP. Docente de Pós-Graduação da Faculdade de Medicina da USP e dos Institutos de Pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde. Professor Titular de Infectologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí e da Universidade Metropolitana de Santos. Ex-Diretor da Faculdade de Medicina de Jundiaí. Editor dos livros “Hepatites Virais” (Ed. Atheneu, 1998) e Tratado de Hepatites Virais (Ed. Atheneu, 2003). Co-Editor do livro “Doenças Infecciosas e Parasitárias” (ed. Veronesi R. 8" ed. Guanabara-Koogan, 1976). Co-Editor das edições anteriores do “Tratado de Infectologia” (Ed. Atheneu). Co-Editor do “Atlas de DST” (Ed. Atheneu, 2002). Associate Editor do “Brazilian Journal of Infectious Diseases” e do conselho editorial de diversas revistas do Brasil e do exterior. Fundador e ex-vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia. Fundador e ex-presidente da Sociedade Paulista de Infectologia. Membro do American College of Physicians. Ex-membro da banca da International Federation for Infectious and Parasitic Diseases. Participou da Fundação da International Society for Erradication of Tetanus, Lyon-França. Membro do American Board of the Middlesex University of London. Membro de Honra de Associações e Sociedades Médicas nacionais e do exterior. Presidente do Comitê de Hepatites Virais da Associação Panamericana de Infectologia. Membro do Grupo Técnico Assessor de Hepatites Virais do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo
Veja outros títulos de Roberto Focaccia
Esse artigo tem propósitos apenas informativos. NÃO FORNECE ORIENTAÇÕES MÉDICAS. quanto o autor e divulgador não se responsabilizam por quaisquer conseqüências possíveis oriundas de qualquer tratamento, procedimento, exercício, modificação na dieta, ação ou aplicação de medicamento que resultem da leitura ou observância das informações aqui contidas. A publicação dessas informações não constitui a prática da medicina, e não substituiu o conselho do seu médico ou outro profissional de saúde. Antes de adotar qualquer tipo de tratamento, o leitor deve procurar atendimento médico ou outro profissional da saúde.

